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Educação inclusiva, reforma do Ensino Médio, Cultura Digital e BNCC foram temas de debates nos três dias do Cetec

II Congresso de Educação, Tecnologia e Conhecimento Sesi-SP reuniu mais de 600 educadores para falar sobre o poder transformador da educação e as principais tendências aplicadas ao ambiente escolar
 Por: Aline Porcina, Agência Indusnet Fiesp
28/10/2019 17:51 - atualizado às 18:16 em 28/10/2019

Três dias de completa imersão no cenário educacional, com debates sobre o currículo do novo Ensino Médio, a Prática Pedagógica, a Cultura Digital e muito mais. Assim foi o II Congresso de Educação, Tecnologia e Conhecimento Sesi-SP (Cetec), realizado no Sesi Campinas Amoreiras, de 24 a 26 de outubro.

A segunda edição do evento contou com a participação de mais de 600 educadores da rede Sesi de ensino e das redes pública e privada. Na programação, 40 atividades entre seminários, oficinas, debates e palestras que abordavam o poder transformador da educação e criavam espaços para troca de experiências e para atualização das principais tendências aplicadas ao ambiente escolar.

Para o gerente Executivo de Educação do Sesi-SP, Roberto Xavier, o objetivo do Cetec é justamente discutir as transformações que ocorrem no processo de aprendizagem e entender como a criatividade, a inventividade, a educação 4.0 e as tecnologias de informação e comunicação podem estimular a participação do aluno na construção de seu próprio aprendizado: “A educação passa por mudanças que exigem um olhar atento e aberto ao novo, pois os alunos têm se transformado e, ao mesmo tempo, descoberto caminhos aos quais a escola deve estar preparada”, disse, na abertura do evento.

Roberto Xavier - Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Educação Inclusiva na Finlândia

A dra. finlandesa Minna Mäkihonko deu início às discussões e apresentou aos convidados, durante a palestra magna, alguns aspectos da educação inclusiva aplicada na Universidade de Tampere e na Universidade Oriental da Finlândia. Professora Sênior de Educação Especial, Minna mostrou cases de sucesso e defendeu a aprendizagem centrada no aluno, com aumento de responsabilidades e maior independência nos processos: “Pesquisas mostraram que a abordagem correta de ensino aumenta a compreensão que o professor tem dos alunos e também a motivação. O ensino envolve a resolução de problemas. O objetivo é modificar a informação para que ela seja acessível e adequada para o público. Os estudantes devem assumir a responsabilidade da sua aprendizagem. Mas, como professores, nós podemos ajudar a liderar este processo e temos o importante papel de dar suporte”, afirmou.

Minna Mäkihonko - Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Reforma do Ensino Médio, BNCC e dimensões do Currículo

O segundo dia do Cetec começou com reflexões sobre a implantação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), os impactos da reforma do Ensino Médio e as diversas dimensões do currículo. A professora doutora em Linguística Aplicada Roxane Rojo apresentou as diretrizes e os aspectos legais da BNCC e do Plano Nacional de Educação, além de analisar os aspectos relativos às competências e ao itinerário formativo descrito no texto: “A BNCC é entendida como uma estratégia para forçar a implementação do Plano Nacional de Educação. Saiu bem atrasada em relação ao plano. Até onde foi possível fazer, até março deste ano, as secretarias trabalharam aceleradamente”. Sobre os itinerários formativos, defendeu que sejam pensados de acordo com os interesses e necessidades de cada comunidade, conforme estava previsto na versão anterior da BNCC: “Quando se fala em Direito de Aprendizagem falamos em aprender coisas que ajudem os alunos a entender os direitos sociais pelos quais eles terão que lutar, e que se refiram aos interesses de cada comunidade. O itinerário formativo não pode ser pensado a partir de competências gerais e unificadas”.

Além de Roxane Roxo, outros cinco profissionais também abordaram o eixo curricular sob o ponto de vista do material didático, das áreas de conhecimento e da aplicabilidade nas várias perspectivas do Ensino Médio. Maurício Colenghi, Marcel Martins, Diego Moreira, Adilson Dalben e Walkiria Rigolon participaram do painel sobre o tema. Para Walkiria, pedagoga e mestre em Educação, é importante questionar qual é o papel social da escola e se os alunos sabem, de fato, como estudar: “O professor precisa se colocar como sujeito que tem um papel político-pedagógico a cumprir. Ensinar a estudar é condição essencial para a ampliação do grau de autonomia e isto demanda escuta atenta e respeitosa e relação dialógica”. 

Roxane Rojo - Everton Amaro/Fiesp

 

Cultura Digital

Robótica educacional, Educação Maker, Computação nas Nuvens e Internet das Coisas foram alguns dos temas debatidos no painel sobre Cultura Digital, que contou com a participação dos profissionais Priscila Boy, Mônica Gardelli, Leandro Kley e Julci Rocha. Em sua fala, a mestre e doutora em Educação Mônica Gardelli apresentou alguns benefícios trazidos pelo uso da robótica em sala de aula, como o desenvolvimento nos alunos da resiliência, da autogestão, da responsabilidade, da assertividade e do engajamento. Para ilustrar a aplicabilidade das novas tecnologias na rotina educacional, a mestre em Educação Julci Rocha deu exemplo de aplicativos, softwares e tecnologias de inclusão que podem facilitar o trabalho dos professores, como aplicativos de tradução e óculos 3D.

Formação de educadores

O primeiro painel do sábado teve como foco a capacitação dos profissionais da educação e contou com a participação de Teresinha Morais, Aline Reali, Rosaura Soligo e Ana Maria Falcão. Com foco nos gestores, a mestre e doutora em Educação Rosaura Soligo defendeu a implementação de três ações estratégicas e prioritárias para garantir a qualidade do ensino: formação continuada, acompanhamento das atividades dos alunos e articulação com o Projeto Político-Pedagógico (PPP).

Já Ana Maria Falcão, também mestre e doutora em Educação, abordou a formação pelo ponto de vista dos professores e elencou atividades que seriam essenciais para o ensino de excelência, como dialogar com a situação, planejar em conjunto, buscar práticas que favoreçam a coletividade, zelar pelo ambiente sensível e afetuoso, inspirar pessoas e aprender fazendo. Ao finalizar sua fala, ressaltou que: “é fundamental que tenhamos consciência da nossa história e profundo respeito pelos saberes dos professores. Aconteça o que acontecer, continue estudando!”

Habilidades socioemocionais e Inclusão escolar

As duas últimas palestras do Cetec 2019 foram “Competências e habilidades socioemocionais: é possível educar com valores?”, ministrada pela doutora em Psicologia Valéria Amorim, e “A transformação social por meio da inclusão escolar”, conduzida pelo orientador de Esporte do Sesi-SP, Ronaldo Gonçalves, e pela atleta de Bocha Paralímpica do Sesi-SP Evelyn Vieira.  

Na primeira, Valéria Amorim falou sobre os desafios da educação socioemocional e sobre competências e habilidades que devem ser desenvolvidas pelos estudantes, como comunicação, conhecimento e pensamento científico, criativo e crítico: “Nós precisamos aprimorar a capacidade de educação e instigar os alunos para que eles busquem respostas diferentes. Isso inclui dar subsídios para que ele se posicione de diferentes formas no mundo”, ressaltou.

Representando o Sesi-SP, Gonçalves apresentou o projeto de esporte inclusivo da instituição e mostrou a história e os resultados de alguns atletas portadores de deficiência. “Eles são iguais a todos nós, só precisam, em algum momento, de adequações. Além de serem cases de sucesso, nossos atletas tem um ciclo a seguir. Em números, 98% deles são alfabetizados e 60% são formados ou estão fazendo universidade. A gente realmente pega no pé neste sentido”, contou o orientador, complementado que “o nosso trabalho, para quem gosta de inclusão, não é só falar para as pessoas, mas sim contagiar para que as pessoas façam aquilo em que você acredita e para que elas também passem a acreditar”.

Em seguida, foi a vez da campeã paralímpica e parapan-americana Evelyn Vieira falar sobre a inclusão sob o ponto de vista legal, além de contar sua trajetória pessoal e profissional. Por conta das dificuldades de adaptação física, ela foi alfabetizada em casa pelos pais e só passou a frequentar a escola aos 19 anos, quando iniciou um curso da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e, posteriormente, ingressou na faculdade de Biologia. Hoje, Evelyn é uma atleta de sucesso do Sesi-SP e coleciona medalhas em sua carreira. “A gente vai quebrando alguns paradigmas. Eu percebi que eu precisava estar ali para que algumas coisas mudassem e entendi que a transformação começa por mim. Primeiro a gente deve incluir e, conforme for incluindo, a gente vai adaptando e transformando.” Ainda sobre sua história de sucesso e superação, Evelyn destacou uma frase que sempre leva consigo quando fala em inclusão social: “A maior limitação que um ser humano pode ter não é a que paralisa seu corpo, mas sim a que afeta sua mente”.

Fab Lab, exposição de trabalhos e oficinas

Além das palestras principais, o Cetec 2019 contou com espaços para exposição de trabalhos de professores e de alunos do Sesi-SP, seminário sobre biblioteca escolar, fórum de estudantes, oficinas sobre temas diversos, como mapas temáticos, ensino por investigação, medição astronômica e práticas interdisciplinares, e Makerthon com projetos de inclusão social desenvolvidos por alunos e educadores de escolas do Sesi-SP

Houve ainda apresentação artística do coral de alunos do Sesi de Americana e do Teatro Musical do Sesi-SP.

As palestras do Cetec 2019 estão disponíveis na íntegra na nossa página: www.facebook.com/sesisp.

 

 

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